Miguel Allen Lima, CEO da Arquiled, foi o convidado da “DEEC TALK” do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, uma conferência subordinada ao tema "Cidades do Século XXI sobre infraestruturas do Século XIX: um paradigma em rutura".
A iniciativa decorreu no passado dia 17 de junho com uma audiência constituída, essencialmente, por alumni (antigos alunos e graduados) de engenharia eletrotécnica e de computadores, o que resultou numa sessão participativa de perguntas e respostas.
Na tese apresentada, Miguel Allen Lima destacou os desafios crescentes associados à gestão das infraestruturas urbanas num contexto de rápida urbanização. Segundo dados das Nações Unidas, até 2050, cerca de dois terços da população mundial viverá em cidades, sendo expectável a existência de 43 megacidades já em 2030. Este crescimento intensificará a pressão sobre sistemas essenciais como o abastecimento de água, energia, saneamento, telecomunicações e iluminação pública.
Perante este cenário, foi sublinhada a importância de considerar fatores críticos como a capacidade atual das infraestruturas, o planeamento futuro, a robustez face a falhas, a eficiência e a segurança, incluindo riscos de ciberataques. No entanto, persistem desafios relevantes, nomeadamente a falta de dados fiáveis, o difícil acesso a infraestruturas muitas vezes subterrâneas e a ausência de atualização documental face a alterações ao longo do tempo.
O impacto destas fragilidades é significativo. Em Portugal, por exemplo, em 2023 perderam-se nas redes 191 milhões de metros cúbicos de água (cerca de 21% do total fornecido), com consequências energéticas e ambientais relevantes. Paralelamente, verificam-se problemas como inundações, descargas em períodos de chuva e elevados consumos energéticos associados à degradação dos sistemas de saneamento. Já na iluminação pública, além da adoção de tecnologias LED, soluções inteligentes como o “smart dimming” podem reduzir ainda mais o consumo energético.
No encontro foi evidenciado, ainda, o potencial das infraestruturas inteligentes, particularmente na iluminação pública, que pode ser adaptada para múltiplas funções, como suporte a redes 5G, carregamento de veículos elétricos, monitorização ambiental ou sistemas de segurança. Apesar de ainda estarem numa fase inicial, os avanços tecnológicos e a digitalização estão a tornar estas soluções cada vez mais viáveis e acessíveis.